
Final Fantasy XIII conta a história de dois mundos muito próximos que convivem em constante conflito. Há muitos séculos, em Gran Pulse, criaturas conhecidas como fal'Cie criaram o mundo de Cocoon e implementaram diversas máquinas e criaturas para conviverem com os humanos. Cocoon tornou-se um verdadeiro paraíso para a raça humana, enquanto Gran Pulse, o planeta abaixo, continuava a ser um local impossível de ser habitado pelos humanos por causa das perigosas criaturas nativas. O tempo passou e cada mundo ficou com seus respectivos fal'Cie.
Humanos que entram em contato com os fal'Cie de Pulse são amaldiçoados e tornam-se l'Cie. Eles recebem o poder de magia e são obrigados a completar uma espécie de missão (Focus) para seu mestre fal'Cie, o qual geralmente obriga o seu l'Cie a destruir Cocoon. Como não há nenhuma forma de se livrar da maldição, os l'Cie são perseguidos pelos outros humanos e "secretamente" são executados. Se o Focus não for cumprido, o l'Cie se transforma em uma criatura terrível chamada Cie'th e ataca quem estiver ao redor. Os humanos preferem evitar qualquer coisa vinda de Gran Pulse do que correrem o risco de serem amaldiçoados. Esse medo do desconhecido é a principal razão para nenhuma pessoa ir para o outro mundo.
É aí que começa a história dos personagens de Final Fantasy XIII. Lightning, Snow, Hope, Sazh, Fang e Vanille são unidos por uma maldição em comum e tentam mudar seus destinos.
Esse breve resumo que acabei de escrever é apenas uma pequena parte da complexa história de FFXIII. São aproximadamente 40 horas de pouco jogo e muitas CGs impressionantes. A primeira impressão que tive ao zerar o game é que os criadores queriam ter explorado mais a história, mas acabaram optando por criar um menu descritivo de cada aspecto histórico de Pulse e Cocoon. Dessa forma Final Fantasy XIII ficou cansativo, como um filme enorme que apresenta uma história inacabada e que obriga o jogador a ler vários textos em busca de respostas para as perguntas que ficam no ar. São muitas as informações em texto no início do game e, a cada capítulo terminado, mais textos são abertos. Se o jogador quer aprender tudo sobre FFXIII, é importante que não esteja cansado, pois dá sono ler tudo aquilo.
Não faz sentido um jogo que não consegue explicar o básico de seu enredo, mesmo com tantos vídeos. Seria interessante se os personagens espalhados pelo mundo pudessem ajudar nesse aspecto, mas eles só estão lá para preenchimento de espaço. Legal, cada pessoa fala e tem uma dublagem própria, mas do que adianta se nada do que elas falam é relevante para a história?
Hope é o personagem mais polêmico na minha opinião. Como alguém tão pequeno e infantil é responsável pelas principais decisões do grupo? E como uma criança consegue filosofar tanto no meio do jogo?
Vanille e Sazh são os mais surpreendentes e alimentam a história com muito mistério durante boa parte do jogo.
O restante dos personagens é muito previsível. O jogador logo descobre o passado de Lightning e Snow, enquanto o passado de Fang é contado por Vanille.
Por outro lado, FFXIII tenta mergulhar no psicológico dos personagens e procura demonstrar como indivíduos conseguem superar os vários desafios impostos por uma sociedade coberta pelo medo do desconhecido. Nisso o jogo consegue ser feliz, mesmo com as falhas apresentadas anteriormente. Há também algumas reviravoltas que impressionam e merecem destaque, mas evitarei qualquer spoiler inconveniente.

Automático, simples e fácil. Essas três palavras resumem bem o fraco e enjoativo sistema de batalha de Final Fantasy XIII. Tudo ficou automático: basta descobrir os pontos fracos do inimigo (com apenas um item) e seus personagens irão atacar da maneira mais eficiente possível. Tudo ficou simples: o jogador só precisa controlar um personagem por luta. Resultado: tudo ficou fácil!
A única estratégia que o jogador precisa ter é montar a combinação correta de personagens e suas respectivas formas de batalha (ou Paradigms). São poucas as combinações efetivas contra boa parte dos adversários, então se o jogador errar, provavelmente receberá um game over. Mas isso não é problema, já que basta escolher a opção "retry" e arriscar uma nova combinação. Faça isso umas dez vezes e você até vai gostar, mas continue dessa forma até o final do jogo e quero ver se não estará implorando pelo retorno das antigas batalhas por turnos.
O mesmo se aplica ao rank ganho no final de cada luta. Após matar um inimigo, o jogador recebe uma nota que varia de zero à cinco estrelas, dependendo do tempo de batalha. Se escolheu a combinação correta de batalha, ótimo! Caso contrário aperte start e dê "retry"! Olha só que simples!
As batalhas deveriam ser colossais tendo em vista a grandiosidade e complexidade de cada monstro em FFXIII. Cada inimigo deveria ter um ponto fraco específico que só seria descoberto após muito sangue ser derramado. Mas não, aplique a técnica Libra ou utilize o item Librascope e tenha todos os detalhes do inimigo na palma de sua mão!
É legal que os inimigos podem ser vistos vagando pelo cenário, mas a variedade de monstros por ambiente é muito pequena. Tudo fica muito previsível e enjoativo quando temos o poder de escolher nossos adversários. As batalhas aleatórias poderiam aumentar a expectativa do jogador e tornar o jogo mais imprevisível. Algumas lutas podem até ser enfrentadas apertando o botão X (PS3) ou A (X360) sem ao menos obrigar que o jogador olhe para a tela. Perdi a conta de quantas vezes meus personagens estavam lutando e eu na maior conversa no msn.

Não é porque na atualidade há jogos como Fallout 3 ou Mass Effect que estamos nos incomodando com games lineares. O fato é que nunca me incomodei com a linearidade dos games, já que sempre haviam formas de compensar essa característica. Mas Final Fantasy XIII apelou muito.
Como já afirmei anteriormente, as batalhas simples e a falta de encontros aleatórios deixam o jogo previsível. Se o jogador já sabe contra quem vai lutar e ainda não precisa explorar absolutamente nada nos cenários, podemos afirmar que o jogo é linear. Por querer se focar mais na história, as primeiras 20 horas de FFXIII podem ser resumidas como uma linha reta, algumas batalhas, muitas CGs e vários textos. Nem ao menos o jogador pode escolher quais personagens quer controlar. Isso seria completamente aceitável em uma introdução do jogo, mas 20 horas é muita coisa! E olha que esse tempo é uma média!

Aqui está um dos pontos mais altos de Final Fantasy XIII! Animações lindas como James Cameron nunca viu, cenários que parecem ter vindo do futuro e expressões faciais impressionantes fazem desse jogo ser um dos mais belos já vistos. Eu, particularmente, nunca vi CGs mais bonitas que essas. Poderia até afirmar que FFXIII possui os melhores gráficos!
Mas como nem tudo são flores (e você já deve ter reparado isso em alguns pontos da análise), pequenos detalhes foram ignorados pela equipe de arte da Square Enix. Não sei qual deve ser a dificuldade em moldar o cabelo dos personagens, mas isso é algo que me incomodou em várias cenas. Outro detalhe são os dedos dos personagens que algumas vezes lembram Zelda Ocarina of Time, sem brincadeiras!
Mesmo assim, 10 é pouco para esse quesito.

A presença de Masashi Hamauzu na composição das músicas foi um dos principais atrativos na minha compra de Final Fantasy XIII, já que o japonês trabalhou ao lado de Nobuo Uematsu em Final Fantasy X, meu game predileto. Mas logo me incomodei com a falta das canções tradicionais da série e a presença de uma cantora ocidental na trilha sonora. Como um Final Fantasy não possui a famosa Prelude?
Logo na introdução, afirmei que FFXIII é único e não deve ser comparado com os outros games da franquia. Isso serve também para a trilha sonora. Nada mais justo para um jogo que quer inovar, que crie uma trilha completamente distinta e original. Precisei de bastante tempo de jogo para perceber que as famosas músicas da série não iriam caber nele.
Apesar da grande maioria das músicas de FFXIII serem uma variação da canção principal, não podemos tirar o crédito dessa maravilhosa trilha sonora.
Não perderia meu tempo jogando e analisando cada detalhe de Final Fantasy XIII se este não fosse um ótimo game. Muitas coisas me incomodaram, mas mesmo assim me diverti e me impressionei bastante durante minhas 100 horas!
6 comentários:
Lí toda a analise,não achei que leria quando dei aquela olhada "básica" no tamanho dela,não pelo fato de ser grande está no ponto certo mas sim,porque não conheço extremamente nada do universo de Final Fantasy,sempre me impressionei com o jogo mais sempre achei quie ele definitavamente não é pra mim,primeiramente pela história gigantesca e complicada que envolvem muitos jogos anteriores da série,e segundo pelo meu ingles fraco.
Bom tendo em vista todos os meus problemas com a série "FINAL fANTASY" aí vão algumas perguntas:
Por qual jogo eu deveria começar ?(sem contar o fator história,mais sim para aprender a jogabilidade)
Bom eu tenho esperança que até de para eu jogar algum... ahcva a mesma coisa de pokemon,hoje em dia estou viciado.
No mais ótima review,da pra ver que você realmente gosta do jogo,mas não deixou de ser imparcial e definir os defeitos.
Ótima análise Panettoni! Parabéns!
Estou com o jogo faz mais de uma semana e ainda não consegui jogá-lo, então foi ótimo ler sua análise antes.
Confesso que fiquei meio triste por não ter o velho sistema de batalhas em turnos...
A princípio creio que irei gostar bastante do jogo, assim que jogar poderei comentar melhor xD
beijos!
Primeiro devo dizer que a analise está ótima, e como eu passei um bom tempo discutindo FF XIII com você eu posso dizer que tive alguns DEjá-vus lendo a sua Review.
Concordo em 80% no que você disse, principalmente no fato das batalhas e músicas dos games.
O sistema de encontros me lembrou bastante o de Chrono Trigger...
Jogo esse que é aclamado pelo público.
Acho que o grande problama que Final Fantasy anda tendo é colocar o drama de seus personagens a frente do que está acontecendo com o mundo, mas esse problema é algo muito relativo já que a série talvez esteja melhor como está hoje.
Pensando que muitas outras mídias preferem dar preferência em abranger mais o ser humano e não o mundo em si, maaaas ainda sim não esquecer que o mundo em questão está passando por um problema e cabe a esse personagem ou não, enfrentar provações para mudar ou salvar esse mundo.
Coisa que em Final Fantasy XIII não ficou muito bem estabelecida, pelo menos até onde eu joguei no momento Cap. 8.
Bom... quando eu terminar o game poderei falar mais sobre ele.
Por hora abraços e valeu pela analise completissima!!
PS:Guerreiro, tu pode começar de qualquer game da série, cada jogo tem uma história independente sem paralelo com os outros games da série.
Eu recomendo que tu jogue primeiramente o 4,6,7,8 e 10(esse até o Panettoni recomendo XD), pra mim junto com o XIII são os melhores da série.
Caramba, como eu não conheci esse blog antes?
Excelente análise de FF13. É verdade que eu não concordo com tudo (especialmente o quesito "linearidade"), enquanto outras análises (como as seções "história" e "sistema de batalha") poderiam ter sido assinadas por mim mesmo! Achei suas opiniões muito bem fundamentadas e interessantes.
Parabéns pelo blog!!!
É um jogo que todos jogaderos de Final Fantasy e um bom RPG esperava,mas ...Pode ser que seja um ótimo jogo para quem nunca jogou , mas para quem é fã da série foi decepcionante, pra mim e tenho certeza que para muitos fãs de FFXIII. Pela jogabilidade quase que automática , parecido com a FFXII(Que não gostei nenhum pouco disso) isso sem contar com a embolação na hora da batalha que vc não ver c ta apanhando ou batendo,pela jogo ser muuuuito linear , acabou a exploração e aquela paradinha que a gente dava para evoluir os personages.Chega em um certa hora do jogo que a gente não poder evoluir como nas FF anteriores que podia envoluir em qualquer parte do jogo. Mas pelo menos o gráfico salvou o jogo.Acabei d passar para o 3º DVD e até agora o jogo não me surpreendeu...mas vamos ver c nesse 3º DVD as coisas melhoram e c não melhorar vamos ter que esperar o próximo Final Fantasy.Abraços!Fui!
Muito obrigado pelos elogios, pessoal! É normal não concordarem com tudo, então sintam-se à vontade para criticar e expressar as suas opiniões.
Grande abraço!
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