Final Fantasy XIII é linear. Já escrevi sobre isso na minha análise sobre o game e como ele busca, com sua linearidade, se focar na história. Desde o início do jogo, você é conduzido por uma linha reta sem fim, com CGs impressionantes ocorrendo constantemente após poucas batalhas. Final Fantasy X também procura levar o jogador por uma linha definida para realçar o belíssimo enredo do game. Realmente não há como negar a falta de exploração em ambos os jogos, ainda mais se relembrarmos de Final Fantasy VII. Mas a comparação aqui é entre FFX e FFXIII, e é por isso que as similaridades terminam aqui. Há vários graus de linearidade, desde o grau mais leve até o mais crítico. Continue lendo para entender.
Em Final Fantasy XIII, o jogador é colocado em pequenos grupos que são trocados automaticamente. Nada muda até aproximadamente 20 horas de CGs e batalhas tediosas. Após esse período muito grande, o jogo apresenta um mundo maior a ser explorado e o jogador fica com a sensação de que finalmente terá o controle de suas ações no jogo. Mas bastam algumas horas de exploração para que o jogador volte a seguir o restante da história, novamente seguindo uma linha reta.
Em Final Fantasy X, logo após os personagens principais aparecerem, o que não demora mais de 5 horas, você já ganha todo o controle sobre o grupo, podendo decidir quais estilos de luta mais combinam com você (como por exemplo utilizar mais os Aeons, criaturas de invocação, e magias negras, ou então partir para a porrada). Isso não ocorre com FFXIII. Nesse último, você é obrigado a lutar da forma que o jogo manda (muitas vezes basta apertar loucamente o X ou A e seguir na história). Um espaço maior a ser explorado, em FFX, está sempre em conjunto com uma linha reta, ou seja, mesmo tendo a necessidade de seguir em linha reta, o jogador é desafiado constantemente e pode explorar livremente o cenário para isso.
Vamos pegar como exemplo os templos em FFX. Para o jogador chegar até a última sala, onde é possível obter um Aeon, ele precisa resolver um calabouço complexo. E, se o jogador resolver completamente o puzzle, ele é premiado com itens ótimos que poderão ser usados contra chefes mais difíceis no futuro. Dessa forma, mesmo em linha reta, o jogador é sempre desafiado e assim o game torna-se interessante e viciante. Você não é desafiado em FFXIII. Isso pode ser explicado facilmente no tópico abaixo.
As lutas em Final Fantasy XIII não são aleatórias e portanto ficam previsíveis, sem que haja uma surpresa que pode obrigar o jogador a mudar sua estratégia em meio a uma luta. Se você já sabe com quem irá lutar, saberá qual a melhor estratégia para combatê-lo e poderá se preparar. Bom, se é possível haver uma preparação, então o jogo deve desafiar o jogador a descobrir os pontos fracos dos inimigos, certo? Errado. As batalhas de FFXIII são tão automáticas e simples que basta um item para o jogador descobrir tudo sobre seu adversário. Simples, fácil e chato. Dá para enjoar rapidamente desse esquema de batalha.
Final Fantasy X preservou os famosos chefes difíceis, cujas batalhas demoram muito e o jogador precisa escolher a arma correta e a combinação mais efetiva. O legal é que cada personagem possui suas características únicas, como as summons da personagem Yuna. Dessa forma, dependendo do momento em que uma luta se encontra, você pode colocar a Yuna e utilizar suas habilidades únicas. Em FFXIII, você só pode utilizar três personagens por batalha e eles não possuem diferenças tão significativas. Assim tanto faz quem você vai utilizar. Isso não só é chato, como também os personagens acabam perdendo suas identidades com o decorrer da história. Talvez seja por isso que muitas pessoas odiaram o personagem Snow. Além dele ser muito infantil no contexto criado pelo jogo, suas habilidades não o tornam especial nas batalhas e por isso ele torna-se irrelevante.
As batalhas por turnos em FFX podem se tornar cansativas, como é normal para esse tipo de sistema. Mas ele é muito mais divertido e desafiante do que simplesmente um monte de inimigos repetitivos e um sistema de batalha que não desafia o jogador.
O mundo criado por Final Fantasy X e toda a história que o cerca, tornaram o game um mistério a ser desvendado. Cada novidade é recebida com espanto e as reviravoltas foram muito bem planejadas. Para descobrir os segredos de cada região e até descobrir novos locais secretos, o jogador precisa conversar com as pessoas ao redor. Se você não estiver interessado, simplesmente continue andando e vá para o próximo local, pois você não perderá nada sobre a história principal, mas só deixará de conhecer os outros detalhes do game. Isso ajuda a quebrar a linearidade do décimo título da série.
Mas o que Final Fantasy XIII faz com sua história é realmente deprimente e cansativo. Não só tudo o que é contado durante o jogo é confuso, mas para que você possa entender exatamente o que está fazendo, é preciso ler um monte de textos que são disponibilizados no menu do game. Ou seja, FFXIII não só dificulta o entendimento de seu enredo, como não consegue explicar tudo através das várias CGs, optando por criar um verdadeiro livro que deve ser lido pelo jogador. Você não precisa ler, mas também não entenderá muitas coisas sobre a história. Seria mais fácil vir um livro junto com o manual do game para facilitar a vida dos jogadores. Não vou me aprofundar no fato de que a história de FFXIII, após um certo tempo, simplesmente fica sem explicações. Isso é conversa para outra hora.

O esquema de evolução dos personagens é o que mais aproxima ambos os jogos e ao mesmo tempo os distancia. Em ambos os títulos os personagens não possuem níveis, mas evoluem de acordo com mapas gigantes que, ao serem completados aos poucos, revelam novas habilidades e aumentam os stats.
Em Final Fantasy XIII, há cinco Crystariums para cada personagem e não há ligações entre eles. Se o jogador recebeu Crystarium Points (CPs) após uma luta, basta aplicá-los em um dos Crystariums para os personagens evoluirem. Dessa forma não há como o jogador escolher qual rumo que seu personagem seguirá. Não é preciso formular uma estratégia de evolução já que tudo é tão simples.
Já em Final Fantasy X o sistema evolutivo é chamado de Sphere Grid. Só há um Grid em todo o jogo e nele os personagens dividem espaço. Não basta apenas experiência pós-batalha para que os atributos sejam aumentados, mas também é preciso acumular diferentes esferas que possibilitarão a ativação de alguma habilidade e/ou mudança de stat. Assim o jogador pode evoluir livremente seus personagens para onde ele bem entender. Não há uma linha reta nesse sistema, mas sim um campo aberto de escolhas que dependerão única e exclusivamente do jogador.

É claro que Final Fantasy X e Final Fantasy XIII são lineares em essência e é por isso que são tão comparados pelos críticos. Mas precisei explicar alguns dos vários tópicos que os diferenciam para poder mostrar a diferença no nível de linearidade de ambos.
Final Fantasy XIII leva a linearidade para um grau extremo. Parece até que a Square Enix quis aumentar o seu público criando um jogo tão simples e com uma narrativa infantil que só surpreende pelos gráficos excelentes e músicas bonitas.
Final Fantasy X consegue determinar uma linha reta para o jogador sem deixar de ser interessante e intuitivo. Há mistérios para revelar e locais totalmente excluídos da história pricipal para serem descobertos.
Ambos não são iguais como tantas pessoas afirmaram. É preciso conhecer e jogar muito bem cada título para descobrir como são únicos. FFXIII mudou completamente a cara dos antigos RPGs da Square e não se tornou um jogo ruim. Na época, FFX trouxe novidades impressionantes para o mundo dos games e muitos aspectos vistos hoje nos jogos tiveram origem nesse décimo título. Compará-los simplesmente por apresentarem um esquema linear é um equívoco grande.



4 comentários:
Então FFXIII é linear ao extremo? Confesso que me decepcionei agora.
Pra falar a verdade, as comparações à FFX eram o que me animavam ainda em jogar o 13º episódio, porque eu gosto muito do X, acho realmente um jogo fantástico.
Mas foi ´´otimo ler estas explicações. O que mais me deixou bolada foi o Crsytarium. PQP, até nisso ele é linear! #PorraSquare!
Lembro que me divertira pra caramba arrumando random battles no X para conseguir mais spheres e expandir os grids dos personagens. Inclusive, uma meta que tracei por muuuuito tempo na versão International do X foi conseguir a habilidade Auto-Life da Yuna para ter mais vantagens na batalha contra o Omega Weapon. E não foi só Spheres que tive que correr atrás, como também de chaves, gil, certos inimigos... E etc! Muito bacana!
Enfim, muito legal o artigo Panettoni e parabéns! Sucesso! ^^
Meu, não tem como comparar o X e o XIII! O X é muuuuuuito melhor!
Jogar e me frustrar com o XIII me dá uma vontade imensa de jogar o X de novo ;P
@Jejé Muito obrigado! Não deixe de jogar FFXIII. É por isso que cada um possui a sua opinião...XD!
@Natalie Hahaha! Impressionante como somos parecidos nesse quesito...hehe!
Garotas comentando os meus posts gamísticos. Isso é tão legal! Hehehe!
hum, olhando esse post ja entendi mt coisa, sou fã de FF mas como nunca tive um plataforma da sony os unicos q joguei foram os crystal chroicles da nintendo, apesar de ja brincar com o FFXII um dia e no game world o FFXIII, mesmo assim não tenho como opinar mas ja sei oque falar caso alguem estaja comparando os dois dizendo q são iguais XD
hahaha mt bom panetas curti o post ;D
Postar um comentário