segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Análise: No More Heroes: Heroes' Paradise

Análise publicada originalmente no UOL Jogos (LINK).

Bem-vindo a Santa Destroy, uma conturbada cidade da Califórnia que abriga os maiores assassinos dos EUA. Entre eles está Travis Touchdown, um garoto nerd que, após matar um garoto albino chamado Helter Skelter, descobriu ser o 11º maior matador do país. Por ter sede de sangue, o anti-herói decide se tornar o maior assassino da região, eliminando os dez primeiros do ranking.

Lançado anteriormente para Wii, "No More Heroes" chegou ao PlayStation 3 com o subtítulo "Heroes' Paradise" e um novo visual, aproveitando-se do acessório de movimentos da Sony, o PS Move. Cheio de referências da cultura pop e valores orientais, o jogo da Konami procura um público geek apaixonado pelo incomum.




Passeio pelo universo geek


Roupas descoladas, garotas sensuais, personagens estilosos, poderes especiais e detalhes nipônicos são algumas das características de "No More Heroes" e fazem referência ao universo geek tão poupular na cultura pop atual. O seu criador, Goichi Suda (ou Suda 51), transportou tais características de maneira exemplar que, mesmo não atraindo um grande público de jogadores, faz divertir aqueles que de alguma maneira se atraem por tal universo.

O próprio protagonista Travis Touchdown é exemplo claro desse direcionamento. Sua espada a laser comprada em um leilão e sua obsessão por lutas e máscaras fazem referências sutis a Star Wars, Dragon Ball e até mesmo ao lendário e mascarado lutador mexicano Santo. Esses e outros detalhes são colocados de maneiras variadas e malucas e certamente divertirão quem se aventurar pela cidade de Santa Destroy.

A boa notícia para os fãs de "No More Heroes" é a transformação gráfica sofrida pelo jogo do Wii para o potente PlayStation 3. Com cores mais fortes e sombras bem definidas, a cidade de Santa Destroy parece outra, apesar dos objetos e personagens ainda apresentarem texturas pontiagudas. Dá até vontade de explorar mais o local apenas pela melhora gráfica, mas é uma pena que o cenário seja tão limitado e tedioso.


Jogo velho e repetitivo

Pouco adianta misturar boas ideias e referências da cultura pop se a mecânica do jogo não corresponder da mesma maneira. É isso o que ocorre em "No More Heroes: Heroes' Paradise" durante praticamente toda a campanha. O andar lento do protagonista Travis que não o faz chegar a lugar algum pode ser trocado por uma gigantesca moto que, mesmo alcançando velocidades supersônicas, não permite nem ao menos executar uma curva sem que algo de errado aconteça. Experimente então colidir o veículo em uma parede próxima a um poste e descubra a infeliz situação de não conseguir retirar a moto do local.

Nem mesmo as batalhas, que deveriam ser o ponto alto do jogo, conseguiram escapar. É muito difícil ter controle sobre uma luta contra muitos oponentes, pois a câmera não se movimenta em benefício do personagem, o qual muitas vezes é pego desprevenido. Como se isso não bastasse, durante a luta contra alguns inimigos mais fortes que exigem uma maior distância de combate, a mira que serve de apoio para a defesa e para a exibição do adversário acaba falhando.

Com exceção dos chefes e de uma pequena variedade de missões, "No More Heroes: Heroes' Paradise" consegue irritar pela extrema repetição de tarefas. Antes das lutas, sempre é preciso acumular uma certa quantia de dinheiro a partir de trabalhos e missões de assassinato, mas grande parte desses objetivos possui pouca variação, exceto pelo dinheiro de prêmio que aumenta ao longo da campanha. Já durante o combate, os milhares de inimigos que antecedem os chefões raramente diferem entre si e executam os mesmos movimentos contra o personagem. Seria muito mais divertido se cada estágio tivesse sub-chefes tão interessantes quanto os chefes finais, ou então deveria haver uma quantidade menor de inimigos por fase.

Muita coisa aconteceu nesses quase quatro anos entre o lançamento da versão original para Wii até o "No More Heroes" atual. O PlayStation 3 e o Xbox 360 receberam novos acessórios para competir com o controle de movimentos da Nintendo e muitos títulos de qualidade surgiram desde então, entre eles "Killzone 3", o qual usou muito bem o PS Move, mesmo controle usado em "Heroes' Paradise". No entanto, a Konami decidiu manter o estilo de jogo, inserindo apenas a tediosa alternativa de se jogar com o Dualshock.

Enquanto parece não fazer sentido usar um controle comum para desferir os golpes de espada, usar o PS Move conhecendo o seu verdadeiro potencial acaba frustrando qualquer possibilidade de diversão. O que sobra é uma tecnologia ultrapassada que já não convence como antes e irrita pela simplicidade.


Considerações

Jogar "No More Heroes: Heroes' Paradise" com o PlayStation Move em mãos é a mesma experiência daquela lançada há quatro anos para Wii, mesmo com a pequena melhora nos gráficos. Por um lado, a divertida e irônica história de Suda 51 manteve-se intacta, mas por outro, a mecânica visivelmente atrasada também. O resultado disso é uma experiência que parou no tempo e apenas intensificou os problemas que já existiam na versão original, como as repetitivas missões e a física defeituosa.


NOTA: 6

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