quarta-feira, 16 de novembro de 2011

The Legend of Zelda: Skyward Sword



Desde quando terminei The Legend of Zelda: Ocarina of Time pela primeira vez, senti uma emoção que até hoje poucos jogos conseguiram provocar. Em relação à linha do herói Link, apenas a aventura de Wind Waker conseguiu preencher alguns vazios, mas nada que superasse o seu antecessor do Nintendo 64. Agora, Skyward Sword finalmente chegou para se equiparar à Ocarina de maneira exemplar. Duvida? Então leia o restante do texto.

Assim que começa, Skyward Sword já prova ser diferente. Em vez de acordar em uma floresta, Link está no céu, mais precisamente em Skyloft, uma ilha flutuante criada por uma deusa até então misteriosa. Sua melhor amiga, Zelda, o acorda para avisar de uma grande prova que deverá realizar. O único rapaz que passar no teste com o seu respectivo pássaro-guardião deverá se tornar um guerreiro de Skyloft e ganhar uma roupa bem conhecida pelos fãs da franquia. Mas fique tranqüilo(a), pois os spoilers acabam aqui. Apenas quis provar a ousada mudança que Miyamoto e Cia trouxeram para a série. Olha quanta coisa:

Principais mudanças

Um Link nas nuvens: Grande parte da aventura ocorre acima das nuvens. Além de Skyloft, há um conjunto de ilhas que lembram os pequenos planetas de Super Mario Galaxy. Com o pássaro chamado Loftwing, Link pode explorar todo o cenário por tesouros, insetos e pedaços de corações, completando ainda diversos sidequests que podem consumir horas e mais horas de jogo. Esse tipo de exploração lembra muito o tempo gasto nas várias ilhas de Wind Waker, então quem gostou deste último título certamente se sentirá em casa. Entre uma dungeon e outra, é muito interessante descansar um pouco e completar essas missões paralelas, algo que sempre faltou na série.

Evoluir armas: Com os tesouros e insetos em mãos, é possível melhorar absolutamente todas as armas do herói. Basta levá-los ao centro de Skyloft e pagar algumas dezenas de Rupees ao ferreiro local. Escudos podem ficar mais resistentes, sacos de flechas e bombas maiores e outros itens ganham mais velocidade. A exploração faz mais sentido quando há um prêmio mais complexo do que puro dinheiro. Dessa maneira, Skyward Sword consegue prolongar a sua vida útil sem muito esforço, garantindo horas de diversão. Vale lembrar que insetos e outros itens também são obtidos em terra, durante calabouços e outras missões.

Grande variedade de itens: Diferente de antes, com menos da metade da campanha o jogo já fornece praticamente todas as armas mais importantes ao herói. São várias, cada uma com habilidades únicas que muitas vezes devem ser usadas em conjunto. Essa mudança traz principalmente maior diversão, já que os itens são os maiores responsáveis pela diversificação da franquia. O Link é sempre o herói e a Zelda é sempre a princesa, mas as armas são sempre diferentes. Essa regra vale desde a era 3D da série e deverá permanecer inalterada por muito tempo.

Um dos problemas dos jogos de Zelda sempre foi a necessidade de apertar start para mudar de arma ou algum outro tipo de acessório. Dessa vez, porém, foi criado um sistema de atalho muito fácil de navegar. Com apenas um botão, o jogador pode mudar seu inventário durante qualquer ação, seja em meio a um simples passeio ou mesmo durante um combate contra um chefão. Isso serve para trocar itens, equipamentos como escudos e garrafas, e até poderes especiais da espada de Link. As únicas vezes que você deverá apertar start ocorrerão quando quiser estudar os mapas da região. Como comparativo, esse sistema facilitou a jogabilidade de maneira muito similar ao que Ocarina of Time 3D fez ao portátil da Nintendo.

Espada de mil e uma utilidades: Link possui agora uma espada com personalidade própria. Fi, como é chamado o espírito da arma, além de ajudar o herói fornecendo informações valiosas (lembrando muito as intromissões de Navi e Midna), também aponta a localização de tesouros, pessoas e diversos objetivos. Se estiver perdido em meio à floresta, basta apertar o botão C do Nunchuck e escolher algum tipo de radar. Assim, Link só precisa apontar a espada para alguma direção e observar a reação vibratória da arma. Jogadores que não prestam muita atenção aos fatos e diálogos dificilmente se perderão nos objetivos principais dessa campanha.

Controles precisos: Quem hoje subestima a capacidade do Wii Remote frente aos concorrentes pode ficar bastante impressionado com o resultado de Skyward Sword. O Motion Plus garantiu aquilo que Miyamoto disse durante a E3 2010, já que há a sensação de estar segurando uma espada real. Quase todos os inimigos possuem pontos fracos que necessitam um movimento preciso para alguma direção. As bocas horizontais e verticais das Deku Babas (plantas carnívoras) são o melhor exemplo nesse caso. Há ainda diversos outros usos dos controles, como o simples giro do Wii Remote para voar ou enfiar chaves na posição correta para abrir portas.

No início é bem provável que você se irrite com algumas falhas. Mover o controle muito rápido pode ser frustrante, já que o mesmo não consegue acompanhar tão rapidamente o movimento. É preciso aprender então a não sair por aí chacoalhando o WiiMote como um louco só porque está com medo de um chefão. Confesso que teve um momento que quis jogar o controle contra a parede de tanta raiva, mas descobri que estava sendo afobado demais na luta contra o primeiro grande inimigo. Após pegar o jeito, não tive mais problemas. O cursor também se perde várias vezes, mas basta mirar no centro da tela e apertar um único botão para centralizá-lo novamente. Simples e fácil.

O que não mudou

Apesar das ótimas novidades, Skyward Sword ainda é o Zelda que todo fã conhece. A sua história é envolvente e as informações são reveladas pouco a pouco, como um enorme conta-gotas. O mesmo ocorre com os personagens e cada um possui um propósito, um objetivo. Aliada a isso, a Nintendo decidiu contar o início do mundo que mais tarde tornou-se Hyrule, apresentando inúmeros deuses e outros nomes importantes que já apareceram nos títulos. O próprio pai da Zelda, Gaepora, possui quase o mesmo nome da coruja (Kaepora Gaebora) que auxilia o Link de Ocarina of Time, além de ter um rosto muito parecido com o pássaro.

A trilha sonora é outra obra-prima. O instrumento principal aqui é uma pequena harpa que desempenha um papel parecido à famosa Ocarina do Nintendo 64. Dessa vez, porém, o jogador não precisa decorar as poucas músicas que são ensinadas a ele, já que tudo é executado de maneira automática. Nos raros momentos em que é preciso tocar harpa, basta seguir os movimentos do outro personagem, movendo o controle de um lado a outro como se fosse uma onda. Por ser tão simples e não exigir memorização, o sistema de som acaba limitando o leque de músicas de Skyward Sword, mas ainda assim não deixa de ser interessante e muito bonito.

Os diálogos feitos de grunhidos e muito texto também estão de volta e continuam dispensando a dublagem. Link não fala, mas seus vários gestos com as mãos e expressões faciais revelam um herói mais carismático e com personalidade, assemelhando-se muito com o pequeno garoto de Wind Waker, mas de uma maneira menos cartunesca. A novidade, porém, está na movimentação dos personagens durante os diálogos. Em cenas de maior intensidade verbal, é bastante comum que heróis e vilões briguem entre si ou acompanhem o texto como se realmente estivessem falando. Curiosa ou não, essa novidade trouxe maior fluidez aos diálogos e ajudou a eliminar parte do tédio tão presente nas conversas entre personagens.

Nota 10

Eu poderia escrever muitas outras linhas e mesmo assim não conseguiria expressar todas as qualidades e novidades que Skyward Sword tem a apresentar. Seu sistema único de batalha que integra a precisão do Wii Motion Plus com inimigos mais complexos traz ao mundo de Zelda uma diversão nunca vista até então. O número completamente díspar de possibilidades entre chacoalhar os controles em Twilight Princess e realmente segurar uma espada nesta nova versão é uma das razões de Skyward Sword ser superior a tantos outros jogos.

Mesmo com uma aventura exemplar recheada de músicas que dispensam comentários, The Legend of Zelda: Skyward Sword só não é melhor que Ocarina of Time por não apresentar o mesmo número de novidades, ainda mais por considerar este último como uma revolução para a série. Apesar disso, SS é a prova de que um bom jogo não vive apenas de gráficos em alta definição, mas de uma boa idéia e um excelente enredo.

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